
Meus filhos, meus grandes amores, estas palavras hoje são para vocês.
Em primeiro lugar quero dizer-vos OBRIGADA!
Obrigada por me salvarem a vida…constantemente.
Fiquem também a saber que no dia em que o vosso pai morreu, partiu nos meus braços a ouvir precisamente a mesma coisa “Obrigada”. A ele agradeci tudo, o amor devoto, a amizade indestrutível e o melhor presente do mundo: vocês os 2.
M e D, vocês são filhos de um amor bonito, um amor que cuidava, que dava colo, que era casa. Espero, honestamente, ter sido isso tudo para vocês ao longo da vossa vida.
Mas… se um dia acordarem e eu já não estiver cá, há algumas coisas que precisam de saber… e na “minha voz”.
- Não deixem que a minha ausência seja a maior parte da vossa vida, ok?
Chorem, o quanto vos apetecer! Sintam a minha falta. Falem de mim, coisas boas e coisas más, coisas que sentem saudades e outras que “ainda bem que já não está cá” … Depois disso meus queridos… vão viver a porra da vossa vida ok? Sem merdas nem mimimis. TENHO A CERTEZA que enquanto cá estive vos dei TUDO de mim. Falhei? Com certeza! Fiz muita coisa boa? ZERO dúvidas, basta olhar para vocês. Sigam caminho se faz favor, não vou ressuscitar. - Abram o vosso coração e liguem para todas as pessoas que vocês amam.
Não tenham medo de falar dos vossos sentimentos, das vossas ideias, das vossas dores. Liguem para desabafar, liguem porque ouviram uma música que vos fez lembrar daquela pessoa, liguem para contar uma coisa super idiota do vosso dia, liguem, liguem liguem. Nunca sejam demasiado ocupados para amar as vossas pessoas, enquanto elas ainda cá estão. - Registem a vossa vida com verdade. Tirem fotos banais do dia-a-dia, mesmo quando o cabelo está uma merda, a barriga inchada, ou mesmo com uma borbulha unicórnio no meio da testa. NÃO SE ESCONDAM. A mãe não está a pedir que se exponham para os outros, tenho nojo das redes sociais e da vida fingida da sociedade, mas quero que registem a vossa vida de verdade, que recordem viagens, momentos, pessoas, sitios, comidas… tudo o que vos fizer felizes. Não procurem a perfeição, ela vive dentro de vocês.
- Vocês não são árvores. Se não estão bem mudem-se!
Não fiquem presos a amizades, relações, trabalhos que já não vos serve e não vos faz bem. Não sejam como a vossa mãe que fez merdas gigantes nestes campos ok? Recomeçar não significa fracassar. Recomecem as vezes que quiserem e que precisarem. Se algo não vos agradar ou não fizer sentido… vão embora! O rio não teria um som tão bonito se não tivesse pedras pelo caminho, meus amores. - Não esperem pelo ‘momento certo’. Aprendi tarde, mas aprendi. Essa merda não existe. Engravidei da Matilde sem planear e estava há anos a dizer que não era o momento certo. Esqueçam isso. A vida às vezes dá-nos as coisas no momento que tem que dar, mesmo que não seja fácil de compreender. Não se inibam de fazer nada que vos faça feliz por medo. Medo de que? Todos vamos morrer. Todos passamos por momentos financeiros menos positivos. Todos seremos rejeitados alguma vez na vida. As pessoas vão sempre julgar-vos, quer façam, quer não façam. POR ISSO FAÇAM E NÃO ME ENERVEM! Vocês vão sobreviver aos erros. O arrependimento dói mais. A mãe sabe do que fala.
- Não permitam que NINGUÉM vos diga o que vão ser e o que vão fazer.
Sejam os donos da vossa vida. Construam uma vida linda, cheia de altos e baixos, porque precisamos dos baixos para valorizar os altos. Sejam o que quiserem ser. Não vivam para trabalhar, trabalhem para viver. Vivam muito.
Nunca desejarei que a vossa casa seja enorme, o vosso carro seja topo de gama, que o vosso ordenado seja visível do espaço. NÃO QUERO SABER! A única coisa que me importa saber é se são felizes. Escolham a vossa família, os vossos amigos, com o coração. Rodeiem-se de pessoas com uma alma bonita e um sorriso no olhar.
Construam um futuro tão bonito, que se eu e o pai estivermos a olhar lá de cima, estamos com uma cidra a dizer “Caralhooooo… que orgulho nestes miúdos”
Amo-vos. Com toda a alma.Com todo o coração.
E perdoem-me. Nem sempre fui a melhor mãe, mas fui sempre a melhor mãe que consegui ser.
A mãe,
Sofia
Deixe um comentário